Torna-viagem


Vem guardar nestas rimas meu canto vadio
Minha galera de sonhos, de inquietações
Viageiro num fado oculto e sombrio
Torna-viagem, regressos, desilusões
Torna-viagem, no mar das canções
Se as palavras se cansam no tempo
Este fogo não deixa de arder
Se as canções incendeiam a praia
Esta noite não hei-de morrer
Vem guardar o silêncio na cinza do tempo
Vem esquecer ventanias e vendavais
Vem bailar o veludo na noite fagueira
Serei o barco e tu hás-de ser o cais
Serei o barco, tu serás o cais
Se as palavras se cansam no tempo
Este fogo não deixa de arder
Se as canções incendeiam a praia
Esta noite não hei-de morrer

(José Medeiros)


1 comentario:

Graça dijo...

A "praia" onde vêm repousar as palavras de Zeca Medeiros é das que mais gosto nos Açores...

Obrigada!