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Muito embora o querer bem

Muito embora o querer bem
Não seja um invento meu,
Não permito que ninguém
Te queira mais do que eu.

Meu coração vagabundo
Irá, seja como for,
Rua em rua, mundo em mundo,
Atrás de ti, meu amor.

Estes meus braços caídos,
Fugindo a todos os laços,
Só vibram quando pedaços
Dos nossos corpos unidos.

A minha boca e a tua,
Mal deixam de estar unidas,
Lembram meninas perdidas,
A minha boca e a tua.

Odeio o mundo, a inveja,
As convenções, o temor...
Odeio tudo o que esteja
Entre nós dois, meu amor.

(Artur Ribeiro / Raúl Ferrão; canta Ricardo Ribeiro)

Já me deixou

A saudade andou comigo
E através do som da minha voz
No seu fado mais antigo
Fiz mil versos a falar de nós

Troçou de mim a vontade
Sem ouvir sequer os meus lamentos
E por caprichoso ou maldade
Correu comigo a cidade
Até há poucos momentos

Já me deixou, foi-se logo embora
A saudade a quem chamei maldita
Já nos meus olhos não chora
Já nos meus sonhos não grita

Já me deixou, foi-se logo embora
Minha tristeza chegou ao fim
Já me deixou mesmo agora
Saiu p’la porta fora,
Ao ver-te voltar, p’ra mim.

Nem sempre a saudade é triste
Nem sempre a saudade é pranto e dor
Se em paga, a saudade existe,
A saudade não dói tanto amor

Mas enquanto tu não vinhas
Foi tão grande o sofrimento meu,
Pois não sabia que tinhas
Em paga as saudades minhas
Mais saudades do que eu.

(letra: Artur Ribeiro; música: Max; foto: Manuel Álvarez Bravo)