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Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

(letra: Alexandre O’Neill; música: Mário Pacheco; foto: Indiana Caba)

Siete de siete / Sete pedaços de vento

Siete de siete colores,
siete veces por semana,
de siete en siete latidos
mi corazón te reclama.
Por este amor que me mata
─¡malhaya mi cobardía!─,
mis siete vidas de gata
enteras te las daría.
Menos de siete no quiero:
si a siete y media me lanzo,
igual me paso y acierto
que llego y nunca te alcanzo.
Mercurio, Venus, la Tierra
de mil amores te diera…
Marte, Júpiter, Saturno
y la Luna si pudiera.
¡Qué suerte ni qué destino!
¡Qué miedo ni qué fracaso!
¡Quién no se pone en camino de ese flechazo!
¡Qué gloria! ¡Qué desatino!
¡Qué estrella ni qué ocho cuartos!
Que, si me viene esa flecha, yo no me aparto.
Y herida por siete sables
─¡pobre esperanza la mía!─
siete sueños improbables
se me escapan cada día.
Que siete veces me asome
a los balcones del cielo
y siete besos me salven
del infierno de los celos.
¡Qué suerte ni qué destino!
¡Qué miedo ni qué fracaso!
La vida toca a tu puerta y está de paso.
¡Qué gloria! ¡Qué desatino!
¡Qué estrella ni qué ocho cuartos!
Que, si me viene esa flecha, yo no me aparto.
¡Qué suerte ni qué destino!
¡Qué miedo ni qué fracaso!
La vida llama a tu puerta y tú ni caso.
¡Qué gloria! ¡Qué desatino!
¡Qué estrellas ni qué ocho cuartos!
Que si me viene esa flecha, yo no me aparto.

(Javier Ruibal)

(foto: Gonzalo HY)

Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
Na vontade de ser tua
Quero ser
Eu sou assim
Sete pedaços de vento
Sete vozes no jardim
No jardim que eu própria invento
Sete ares de nostalgia
Sete perfumes diversos
Nos cristais da fantasia
Amante de amores dispersos
Sete gritos por gritar
Sete silêncios viver
Sete luas por brilhar
E um céu para me acontecer
Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
na vontade de ser tua.

(José Luís Gordo / Custódio Castelo)

Meu amor meu amor (Meu limão de amargura)

al portugués de Sicilia


Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura
meu punhal a crescer
nós parámos o tempo
não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
Este mar não tem cura
este céu não tem ar
nós parámos o vento
não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

(canción: Ary dos Santos/Alain Oulman; foto: Gonzalo HY)

Verdes são os campos


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

(letra: Luís de Camões; música: Zeca Afonso; foto: Gonzalo HY)


Maria Lisboa


É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.

Em vez de corvos no chaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.

É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas velas o latido
do motor duma traineira.

Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
seu apelido: Lisboa.

(letra: David Mourão-Ferreira; música: Alain Oulman; cuadro: Ángel Oliveras Guart)