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Guitarra, guitarra / Guitarra

Ó guitarra, guitarra, por favor
Abres-me o peito com chave de dor
Guitarra emudece
O som que me entristece
Vertendo sobre mim a nostalgia
Ó guitarra, guitarra, vais ter dó
Não rasgues o silêncio a um homem só
Guitarra o teu gemer
Mais dor me vem fazer
Como o vento a afagar a noite fria
Guitarra emudece
O som que me entristece
Pois se te ouço chorar também eu choro
Maior do que a madeira em que te talham
Guitarra, é o teu mundo onde eu moro
Ó guitarra, guitarra, por favor
Abres-me o peito com chave de dor
Ó guitarra, guitarra, fica muda
Sem ti talvez minh'alma inda se iluda
Vais ter que responder
Ao peso desta enorme nostalgia
Guitarra emudece
O som que me entristece
Pois se te ouço chorar também eu choro
Maior do que a madeira em que te talham
Guitarra, é o teu mundo onde eu moro
Ó guitarra, guitarra, por favor

(Jorge Fernando)


Quando uma guitarra trina
Nas mãos de um bom tocador
A própria guitarra ensina
A cantar seja quem for
Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra
A forma de um coração
A forma de uma guitarra
Guitarra, guitarra querida
Eu venho chorar contigo
Sinto mais suave a vida
Quando tu choras comigo

(letra dos Poetas do fado; música: Pedro Ayres Magalhães / Rodrigo Leão)

Haja o que houver


Haja o que houver
eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti
Volta no vento
Ó meu amor
volta depressa
por favor
Há quanto tempo
já esqueci
Porque fiquei
Longe de ti
Cada momento
é pior
Volta no vento
Por favor
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
espero por ti

(canción: Pedro Ayres Magalhães; foto: Maciej Bodek)

O Tejo


Madrugada,
Descobre-me o rio
que atravesso tanto
para nada;
E este encanto,
prende por um fio,
é a testemunha que eu sei dizer.
E a cidade,
chamam-lhe Lisboa
mas é só o rio
que é verdade,
só o rio,
é a casa de água,
casa da cidade em que vim nascer.
Tejo, meu doce Tejo, corres assim;
corres há milénios sem te arrepender,
és a casa da água onde há poucos anos eu escolhi nascer.

(canción: Pedro Ayres Magalhães / José Peixoto; foto: Gonzalo HY)

Ainda


Vou dizendo
Certas coisas
Vou sabendo
Certas outras
São verdades
São procuras
Amizades
Aventuras
Quem alcança
Mora longe
Da mudança
Do seu nome
Alegria
Vão tristeza
Fantasia
Incerteza
São verdades
São procuras
Amizades
Aventuras
Quem avança
Guarda o amor
Guarda a esperança
Sem favor
Ainda
Ainda
Ainda
Ainda

(letra y música: Pedro Ayres Magalhães; imagen: película Lisbon Story, 1994 - Wim Wenders)

Alfama


Agora,
que lembro,
As horas ao longo do tempo;
Desejo,
voltar,
voltar a ti,
desejo-te encontrar;
Esquecida,
em cada dia que passa,
nunca mais revi a graça
dos teus olhos
que amei.
Má sorte, foi amor que não retive,
e se calhar distraí-me...
- Qualquer coisa que encontrei.

(letra: Pedro Ayres Magalhães; música: P. A. Magalhães/Rodrigo Leão;
imagen: película Lisbon Story, 1994 - Wim Wenders)