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Sei de um rio

Sei de um rio
sei de um rio
em que as únicas estrelas

nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade.

Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio.

Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua.

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio...

Sei de um rio
até quando.

(Pedro Homem de Mello / Alain Oulman)


Povo que lavas no rio


Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
A água pura, puro agreste
Mas a tua vida não.
Aromas de luz e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.
Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

(letra: Pedro Homem de Melo; música: Fado Victoria)