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Escrevi teu nome no vento

Escrevi teu nome no vento
Convencido que o escrevia
Na folha do esquecimento
Que no vento se perdia

E ao vê-lo seguir envolto
Na poeira do caminho
Julguei meu coração solto
Dos elos do teu carinho

Pobre de mim, não pensava
Que tal e qual como eu
O vento se apaixonava
Por esse nome que é teu

E em quanto o vento se agita
Agita-se o meu tormento
Quero esquecer-te, acredita
Mas cada vez há mais vento

(canción: Jorge Rosa / Raúl Ferrão; foto: Paolo Pedelini)

(canta Carminho)


(canta Fernando Maurício)

Muito embora o querer bem

Muito embora o querer bem
Não seja um invento meu,
Não permito que ninguém
Te queira mais do que eu.

Meu coração vagabundo
Irá, seja como for,
Rua em rua, mundo em mundo,
Atrás de ti, meu amor.

Estes meus braços caídos,
Fugindo a todos os laços,
Só vibram quando pedaços
Dos nossos corpos unidos.

A minha boca e a tua,
Mal deixam de estar unidas,
Lembram meninas perdidas,
A minha boca e a tua.

Odeio o mundo, a inveja,
As convenções, o temor...
Odeio tudo o que esteja
Entre nós dois, meu amor.

(Artur Ribeiro / Raúl Ferrão; canta Ricardo Ribeiro)

Madrugada sem sono

parabéns, siciliano

Na solidão a esperar-te
Meu amor fora da lei
Mordi meus lábios sem beijos,
Tive saudades, chorei.

Despedi-me do teu corpo
E por orgulho fugi.
Andei dum corpo a outro corpo
Só para fugir de ti.

Embriaguei-me, cantei
E busquei estrelas na lama.
Naufraguei meu coração
Nas ondas loucas da cama.

Ai, abraços frios de raiva!
Ai, beijos de nojo e fome!
Ai, nomes que murmurei
Com a febre do teu nome!

De madrugada sem sono
Sem luz, nem amor, nem lei
Mordi meus brancos lençóis,
Tive saudades, chorei.

(canción: Goulart Nogueira / Raúl Ferrão; foto: Lisboa à noite, EudaldCJ)

Guarda-me a vida na mão


Guarda-me a vida na mão
Guarda-me os olhos nos teus
Dentro desta solidão
Nem há presença de Deus

Como a queda dum sorriso
P’lo canto triste da boca
Neste vazio impreciso
Só a loucura me toca

Esperei por ti todas as horas
Frágil sombra olhando o cais
Mas mais triste que as demoras
É saber que não vens mais


(Jorge Fernando/Raúl Ferrão;

foto: Paulo César)