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Canção de embalar


Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer.

(canción: Zeca Afonso; pintura: Oswaldo Guayasamín)

Mar alto


Fosse o meu destino o teu,
Ó mar alto, sem ter fundo!
Viver tão perto do céu,
Andar tão longe do mundo.

Antes as tuas tormentas
Do que todas as revoltas,
Num sólio azul te adormentas
E a soluçar nunca voltas.

(canción: Edmundo Bettencourt / Mário Faria da Fonseca; foto: Gonzalo HY)

Adeus ó Serra da Lapa

Adeus ó Serra da Lapa
Adeus que te vou deixar
Ó minha terra ó minha enxada
Não faço gosto em voltar

Companheiros de aventura
Vinde comigo viajar
A noite é negra a vida é dura
Não faço gosto em voltar

Dou-te o meu lenço bordado
Quando de ti me apartar
Eu quero ir ao outro lado
Não faço gosto em voltar

O meu dinheiro contado
É para quem me levar
O meu caminho está traçado
Não faço gosto em voltar

Moirar a terra insegura?
Fugir da serra e do mar?
Meus companheiros de aventura
Tudo farei para salvar

(Zeca Afonso)

Verdes são os campos


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

(letra: Luís de Camões; música: Zeca Afonso; foto: Gonzalo HY)


a José Afonso

De Porto a Coimbra
caminho de ferro
volver a sentir
tristeza en los huesos

Otelo entre rejas
abril está preso
mujer campesina
eu mándote un beijo

De Porto a Coimbra
al pasar por Aveiro
meninos da escola
invaden mi asiento

Y lembrome Zeca
do teu nacimento
menino de aldeia
voltando no tempo

De Coimbra a Lisboa
caminho de ferro
la vida e um sono
en blanco y negro

Otelo entre rejas
abril sin claveles
Mondego agoniza
o Tejo se muere

(Luis Pastor)