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O meu amor

O meu amor consola como o pão
Fresco é melhor mas quente dá paixão
O meu amor roda como o sol
E faz de mim pião

As ruas da minha sede vão todas dar ao seu corpo
É cais, é casa e é porto dos beijos com que me perde
E deito o barro á parede pedindo que não me deixe
Eu quero ser como o peixe nas malhas da sua rede

O meu amor é doce como o mel
Dourada côr do tom da sua pele
O meu amor roda como o mar
E faz de mim batel

As ruas da minha sede vão todas dar ao seu corpo
É cais, é casa e é porto dos beijos com que me perde
E deito o barro á parede pedindo que não me deixe
Eu quero ser como o peixe nas malhas da sua rede

O meu amor é sábio como o sal
Pouco é sabor mas se é demais faz mal
O meu amor roda como o vento
E faz-me um vendaval

As ruas da minha sede vão todas dar ao seu corpo
É cais, é casa e é porto dos beijos com que me perde
E deito o barro á parede pedindo que não me deixe
Eu quero ser como o peixe nas malhas da sua rede

(letra: Rosa Lobato Faria; música: Rão Kyao; canta Ricardo Ribeiro)

Muito embora o querer bem

Muito embora o querer bem
Não seja um invento meu,
Não permito que ninguém
Te queira mais do que eu.

Meu coração vagabundo
Irá, seja como for,
Rua em rua, mundo em mundo,
Atrás de ti, meu amor.

Estes meus braços caídos,
Fugindo a todos os laços,
Só vibram quando pedaços
Dos nossos corpos unidos.

A minha boca e a tua,
Mal deixam de estar unidas,
Lembram meninas perdidas,
A minha boca e a tua.

Odeio o mundo, a inveja,
As convenções, o temor...
Odeio tudo o que esteja
Entre nós dois, meu amor.

(Artur Ribeiro / Raúl Ferrão; canta Ricardo Ribeiro)

A lua e o corpo

Eis que a lua devagar te vai despindo
Atrevendo uma carícia em cada gesto
De igual modo é que a nudez te vai vestindo
O teu corpo condescende sem protestos

Mal os ombros se desnudam surge o peito
Logo o ventre no desenho da cintura
Cada músculo detém o mais perfeito
Movimento em sincronia com a ternura

Já as ancas se arredondam e projectam
Sobre as coxas, sobre os vales, sobre os montes
Onde as vidas noutras vidas se completam
Quando o tempo é um sorriso ou uma fonte

Fica a roupa amontoada junto aos pés
Quer dos teus, quer dos da cama que sou eu
Estende a mão, apaga a lua que a nudez
Do teu corpo fica acesa sobre o meu

(Rui Manuel / Alfredo Marceneiro)

(Ricardo Ribeiro - O álbum vermelho do fado, 2006)